O Mascote

Jacaré, o couro duro do oeste.

“Era 21 de abril de 1968. Naquela tarde ensolarada Rio Preto ganhava sua mais nova ‘jóia de cimento’, uma obra ‘estilo Pacaembu’ – segundo definições utilizadas em reportagens da época – à altura do clube que toma emprestado o nome da cidade. Surgia oficialmente o estádio Anísio Haddad, o Riopretão. O novo e definitivo lar da esquadra esmeraldina deixava de ser a agremiação da Vila Redentora para tornar-se o clube da Vila Universitária. Saía de cena o ‘campo do Coronel Bastos’ e inaugurava-se o ‘lago do Jacaré’. Foi há exatos 39 anos que o réptil assumia formalmente a condição de mascote do Rio Preto.

A expressão ‘lago do Jacaré’, utilizada pelo Diário da Região naquele dia 21 de abril, referia-se justamente ao território onde a equipe rio-pretense passaria a mandar seus jogos. A figura do animal não surgiu por acaso. Foi a maneira que a diretoria do Glorioso encontrou para marcar os 49 anos de fundação do clube, comemorados junto com a inauguração do estádio. A escolha foi feita por meio de concurso, lançado no dia 1º de março de 1968.

O convite público explicava o objetivo de instituir o ‘símbolo humorístico do clube, devendo os concorrentes enviar seus desenhos para a sede da entidade, rua Voluntários de São Paulo, 3066, 8º andar, sala 803, impreterivelmente até o dia 5 de abril’. De acordo com as regras do concurso, o símbolo a ser desenvolvido deveria ser entendido ‘como uma figura ou imagem que venha caracterizar o Rio Preto E.C. em termos de humor e simpatia’. E mencionava exemplos, como o do Santos, ‘cujo símbolo humorístico é a baleia’, e do Palmeiras, ‘que é o periquito’ e o do América, ‘o diabo’. As cores verde e branco do Rio Preto deveriam prevalecer no desenho e a figura humana ou outra qualquer não poderia ser imitada de outro clube ou entidade. Uma comissão julgadora ficaria encarregada da seleção e classificação dos desenhos. O trabalho vencedor seria definitivamente adotado em caráter oficial pelo clube. E para não inibir os artistas anônimos o comunicado destacava que o mais importante era ‘a idéia bem imaginada, adequada às finalidades do símbolo humorístico’. Não seria julgada preferencialmente a boa execução técnica, ‘mas a originalidade do modelo proposto pelo candidato’.

 

O concurso foi um sucesso. Os irmãos Dinorath e Roberto do Valle – ambos professores, jornalistas e historiadores – foram responsáveis por avaliar os trabalhos, que chegaram às dezenas. Ao todo, 119 figuras passaram pelas mãos da dupla julgadora. Sagrou-se vencedor o traço de Cláudio Malagoli, que trazia a imagem do jacaré controlando uma bola com a cabeça. Na legenda, a frase inspiradora: ‘Jacaré, o couro duro do Oeste’. Pela obra, o artista plástico recebeu a premiação de 300 cruzeiros novos. Conforme registrou a edição do Diário da Região de 21 de abril de 1968, o símbolo do Jacaré apareceu pela primeira vez nos cartazes espalhados pela cidade, chamando a atenção do público para o jogo daquela data, entre Rio Preto e Ponte Preta, para comemorar a inauguração do novo estádio e o 49º aniversário do clube.

 

Foi uma estréia de gala do ‘Jacaré’. As festividades naquele dia começaram às 6 horas, com alvorada festiva, e estenderam-se até As 15 horas, início da partida. O Glorioso transmutava-se no réptil esmeraldino a desfilar pela primeira vez na nova casa, diante de sua torcida. O Rio Preto apresentou nada menos que 10 reforços para aquela temporada e entrou em campo com Acosta; Luís, Jacintho, Manu e Alvim; Tião, Nei, Machadinho e Da Silva; Mazinho e Edinho. A derrota por 4 a 1 para a equipe campineira não estragou a festa de batismo do Jacaré, a partir de então símbolo e apelido carinhoso do mais novo representante local na elite do futebol paulista”.

 

Marival Correa
Matéria publicada pelo Diarioweb (28/5/2007).


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